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A FEIJ é reconhecida de utilidade pública pela Lei Municipal nº 1.349 de 27 de agosto de 1951 e pela Lei estadual nº 4.264 de 30 de novembro de 1968.

 

Este site tem como objetivo mostrar a grande entidade que é a FEIJ - Federação Educacional Infanto Juvenil - Aqui será mostrada a sua História.

Caso alguma diretoria Executiva queira este trabalho, teremos o prazer de passar definitivamente a FEIJ. 

SEGUNDA PARTE

FEDERAÇÃO EDUCACIONAL INFANTO JUVENIL

75 ANOS DE LUTAS E GLÓRIAS

 

Viu-se na primeira parte, que o escotismo no Estado do Pará tem sua história marcada por conquistas e lições de determinação e engajamento. A partir de agora tratar-se-á sobre o processo que levou à separação da Federação Paraense de Escoteiros da União dos Escoteiros do Brasil, e por conseguinte à Fundação da Federação Educacional Infanto Juvenil (FEIJ).

 

Após, ao longo dos anos quarenta, a Federação Paraense de Escoteiros (FPE) ter alcançado um nível de desenvolvimento nunca visto, e se constituir em uma das mais avançadas Federações da União de Escoteiros do Brasil (U. E. B.), em fins desta mesma década ocorrem acontecimentos, a nível nacional, no escotismo, que vão afetar diretamente a FPE e que vão resultar inevitavelmente na sua transformação em Federação Educacional Infanto Juvenil.

 

Em 1949 a União de Escoteiros do Brasil recebe nova estruturação, e a extinção da Confederação Brasileira de Escoteiros da Terra (CBET), `a qual a Federação Paraense de Escoteiros (FPE) era filiada, é uma das consequências dessa mudança. Em face desta nova estruturação da UEB é causado um empasse, pois, não havia como esta aceitar a filiação da FPE respeitando a existência desta Federação na forma do seu respectivo estatuto, aprovado que foi pelo seu órgão máximo, ou seja, a assembleia geral. Ao mesmo tempo em que a FPE não abria mão de seus princípios de autonomia, bem como de seu patrimônio material.

 

Diante desta situação a FPE toma uma decisão histórica, e, em 03 de outubro de 1949, na 5.ª Assembleia Nacional Escoteira, realizada na cidade do Rio de janeiro, comunica seu desligamento da UEB.

Representando a FPE na 5.ª Assembleia Nacional Escoteira estava o seu líder maior Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão, o chefe Castelo, que perante toda a assembleia leu o seguinte comunicado:

 

“Senhor presidente e Membros da 5ª assembleia nacional escoteira:

A Federação Paraense de Escoteiros, sociedade civil organizada para fins educacionais, com existência jurídica assegurada nos termos do Código Civil Brasileiro, tendo em vista que no seu programa educacional segue a orientação do método escoteiro criado por Lord Baden Powell, procurou até a presente data manter-se filiada à Confederação Brasileira de Escoteiros de Terra e, por intermédio desta Entidade, à União dos Escoteiros do Brasil, com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento e progresso do escotismo nacional e porque os estatutos dessas duas organizações não prejudicavam seu programa de ação e respeitavam quer sua existência jurídica, como sua autonomia. Considerando, porém, que pelas resoluções tomadas nesta Assembleia, será extinta a Confederação Brasileira de Escoteiros de Terra e dada nova estruturação à União dos Escoteiros do Brasil, estruturação essa que não permitirá à mesma U. B. E. aceitar a filiação da Federação, respeitando a existência desta na forma dos estatutos  respectivos, os quais foram aprovados pelo seu poder máximo dirigente, isto é, pela Assembleia Geral, vem a citada sociedade declarar que, a partir desta data, considera-se desligada da União dos Escoteiros do Brasil, a quem não reconhecerá direito de interferência em sua vida administrativa e em seus programas educacionais.

 

Declara, porém, a Federação, que tendo em vista o seu desejo de não entravar e nem prejudicar de qualquer modo a ação da U. B. E., que respeitará todos os direitos que essa instituição tenha sobre emblemas, insígnias e outras características estabelecidas em seus regulamentos técnicos, mesmo as que não estejam amparadas por Lei.

 

Deseja a Federação Paraense de Escoteiros esclarecer que, considerando o método escoteiro como um método educacional de caráter universal, o qual não é, nem poderá ser constituído em privilégio de qualquer país, instituição ou indivíduo, que ela continuará a empregá-lo na realização de seu programa educacional, utilizando-se dos princípios que sejam úteis à formação moral, física e intelectual de seus elementos.

 

Declara, ainda, que é com verdadeiro pesar que a Federação toma a presente atitude, movida unicamente pelo elevado propósito de defender a obra educacional que vem realizando a qual desejada ver continuada em franco progresso.

 

Ao desligar-se da Congregação de seus companheiros, a Federação Paraense de Escoteiros expressa: - que continuará a estimá-los como irmãos, colocando as suas modestas possibilidades à disposição dos que desejarem a sua colaboração dentro de suas normas estatutárias.

Com votos de grande sucesso no novo caminho a seguir pela União dos Escoteiros do Brasil, a Federação Paraense de Escoteiros saúda fraternalmente, nas pessoas de seus delegados, todos os escoteiros do Brasil.

 

Rio de Janeiro, em 3 de outubro de 1949”.

As palavras do chefe Castelo são esclarecedoras, pois, expressam com firmeza e segurança a decisão tomada pela Federação Paraense de Escoteiros.

 

Os dirigentes e entidades filiadas à FPE, no dia 12 de novembro de 1949, reunidos em assembleia geral, a fim de apreciarem o relatório do delegado da FPE na 5.ª Assembleia Nacional Escoteira, e o desligamento daquela federação da UEB, apoiaram por unanimidade todos os atos praticados por aquele delegado. O chefe Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão, apresentou então a proposta de que a FPE se transformasse em Federação Educacional Infanto juvenil. Estava fundada assim a FEIJ.

 

O chefe Raymundo Martins Vianna, presidente daquela assembleia geral, declarou assim, que de acordo com a vontade unânime da assembleia, estava transformada a FPE em Federação Educacional Infanto Juvenil, com a finalidade de trabalhar pela educação e assistência da infância e juventude brasileira residente no Estado do Pará, visando a formação de gerações capazes de servir a Deus, a Pátria e a humanidade, sem filiação a qualquer outra sociedade de âmbito nacional, estadual ou municipal.

 

Entre tantos dirigentes, líderes e militantes daquele movimento destaca-se naquela ocasião, Virgílio Ferreira Libonati, presidente da Associação Couto de Magalhães; Renato Cristo Mendes Leite, presidente da Associação Benjamin Sodré; Armênio Câmara Leão, presidente da Associação Geraldo de Carvalho; Antônio da Silva Pereira, presidente da Associação Brás de Aguiar; Fernando da Paixão Alves e Manoel  Alves Loureiro, chefes dirigentes da Associação Renausto Amanajás; Antônio Pedro Vianna, representante da Associação Duque de Caxias da cidade de Bragança; Ulisses Lauro Mendes Vieira e Cláudio Carvalho do Nascimento, da comissão executiva da Federação Paraense de Escoteiros.

Entre as associações citadas merecem especial referência as quatro primeiras, pois, até hoje constituem o alicerce da FEIJ.

 

É oportuno citar a composição da primeira diretoria da Federação Educacional Infanto Juvenil:

Presidente: Raimundo Martins Vianna.

Vice-presidente: Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão.

Secretário: Antônio da Silva Pereira.

Secretário-adjunto: Benjamin Jorge de Sousa.

Assistente técnico de finanças: Cláudio Pinheiro da Rocha.

Assistente técnico cultural: Otí Almeida.

Assistente técnico de serviços sociais: Camillo Martins Vianna.

Assistente técnico desportivo: Armênio Câmara Leão.

 

A partir do dia 12 de novembro estava extinta a Federação Paraense de Escoteiros e fundada a Federação Educacional Infanto Juvenil.

 

Para que se possa entender o que é a FEIJ, é necessário voltar ao discurso do chefe Castelo do dia 03 de outubro de 1949, quando do desligamento da FPE da UEB. Segundo suas palavras:

 

“Considerando o método escoteiro como um método educacional de caráter universal, e que não é, nem poderá ser constituído em privilégio de qualquer país, instituição ou indivíduo, que ela – a FPE – continuará a empregá-lo na realização de seu programa educacional, utilizando-se dos princípios que sejam úteis à formação moral, física e intelectual de seus elementos”.

 

Estas palavras nos esclarecem sobre a filosofia de vida da FEIJ. O método escoteiro criado por Lord Baden Powell continuou a ser utilizado em seu programa educacional, e, embora a FEIJ não possa utilizar emblemas, insígnias, símbolos e outras características estabelecidas nos regulamentos técnicos da UEB - por isso ocorre a mudança de FPE para FEIJ - ela continua a empregar a filosofia do escotismo em suas atividades.

 

Portanto, a FEIJ não pode se declarar uma entidade de escoteiros. No entanto, isso não quer dizer que a filosofia da FEIJ não assuma o espírito escotista. Muito pelo contrário. Qualquer um pode ter espírito escotista, os fundamentos educacionais, por exemplo, continuaram os mesmos.

 

Se fosse necessário dar um conceito à FEIJ, diría-se que ela é uma sociedade civil que tem por finalidade trabalhar pela educação e assistência social da infância e da juventude, e que educa sob tríplice aspecto: intelectual, físico e moral.

 

A FEIJ incorpora o preceito dos romanos: “MENS SANA IN CORPORE SANO”, ou seja, “mente sadia num corpo sadio”, que conjuga a preocupação da formação integral do ser humano. Segundo esse preceito o homem deve se preocupar ao mesmo tempo com o corpo e a mente, e, adotando essa filosofia milenar os feijianos seguem o caminho do equilíbrio, ou seja, a formação da personalidade. É por isso que a proposta da FEIJ, desde seu início, é reunir a formação moral e cívica e o lado físico do jovem. Se apenas um lado for desenvolvido a formação estará incompleta, mas se houver o equilíbrio entre a mente e o corpo então a personalidade estará formada.

 

Com a saudação “TUDO PELA PÁTRIA”, que congrega num simples lema todos os princípios que devem ser seguidos por cada feijiano, esta instituição revela o compromisso de cada um: “viver pela pátria”. Viver pela pátria é viver por Deus, por si, pela família, pela comunidade, pelo Brasil, e em última análise por todos os seres humanos. Não se pode confundir, portanto, esse ideal com o nacionalismo de tipo ufaníssimo que não compreende que a humanidade é uma só.

Um observador do desenvolvimento da FEIJ, numa composição poética de 1956 ajuda a compreender os objetivos e finalidades da instituição:

 

“Forja do caráter te chamam,

Enquanto outros mais, te proclamam

Do caráter e da fibra o nascedouro;

Eu, que da FEIJ acompanho o grande avanço,

Realidade viril, te afianço:

Aqui dentro, Brasil, tens um tesouro!

Cada um FEIJIANO bravo e forte

Aspira defender o pátrio solo,

Orgulhoso enfrentar a própria morte.

Entre os nomes daqueles que tombaram,

Daqueles que morreram, mas deixaram

Um passado de luta e de trabalho,

Citarei GLICÉRIO MARQUES e RENATO,

Aqui tão distinguidos por seus atos,

Citarei o nosso GERALDO DE CARVALHO!

Intenso amor a FEIJ. demonstrando,

Os seus exemplos aqui vão frutificando!

Na FEIJ ficaram por toda a vida,

As suas sempre retas atitudes:

Lições de amor a pátria estremecida!

Identificada com a glória,

Nas páginas brilhantes da história,

Ficarás para exemplo dos vindouros,

A tua meta fica além dos continentes,

No teu seio só há filhos valentes,

Teu porvir te dará mais novos louros!

Orgulho de uma geração brilhante,

Jovens que lembram a cada instante,

Urdiduras e tramas varonis,

Vencerás, pois é puro o teu programa,

E do peito do filho que te ama

Nunca sairá o nosso país!

Infantis! Juvenis! Chefes! Pioneiros!

LUTAR É A NOSSA GLÓRIA, Companheiros!!

 

Porém, não é apenas revisitando os fatos históricos, as datas e personagens implicados no processo que constitui determinado acontecimento, – no caso aqui o processo de constituição de uma sociedade civil – que se vislumbra a dimensão que aquele fato assume. Ao revisitar o ano de 1949 e tentar entender o surgimento da FEIJ, se faz necessário recuar um pouco mais no tempo, pois, a instituição não surge do nada. Não se trabalha o conceito de casualidade, embora a fundação da FEIJ chame atenção como um fato que é possuidor, em si mesmo, de características próprias e singularidades que aparentemente podem ser explicadas em poucas linhas, mas que, no entanto, necessitam de páginas de reflexões para que sejam melhor compreendidas.

 

Como a FEIJ tem suas raízes no movimento escoteiro, e suas atividades educacionais incorporam a filosofia daquele movimento, é oportuno esclarecer quais as atividades desenvolvidas pelo escotismo no Pará em 1949.

 

Os grupos e/ou associações filiadas a Federação Paraense de Escoteiros até fins da década de quarenta, desempenhavam atividades físicas, patrióticas e desportivas que, adaptadas a realidade brasileira e paraense, respeitavam os métodos escoteiros criados por Baden Powell, cidadão inglês que desde fins do século XIX se dedicou a uma filosofia de vida que conjugava características da disciplina militar e educação de crianças e jovens.

 

Neste período existiam, entre os escoteiros três categorias: lobinho, escoteiro, e pioneiro, que correspondiam respectivamente a faixa etária que ia da infância, passava pela adolescência e juventude até a fase adulta. Na década de trinta os escoteiros executavam atividades como caminhadas, acampamentos, acantonamentos, excursões pelo interior do estado entre outras. Reuniões semanais eram realizadas onde se davam os ensinamentos de como fazer nós, sinais de pista, ordem unida, se aprendia as leis do escotismo, etc.,

 

Na década de quarenta as reuniões se davam às quartas, sábados e domingos, sendo que as atividades haviam se ampliado, pois, agora a Federação Paraense de Escoteiros contava com uma sede própria, e uma área que lhe proporcionava condições para melhor desenvolver seus ideais.

 

Durante boa parte desta década os esforços dos escoteiros foram quase que exclusivamente voltados para a ordenação da sua nova sede, e a área que lhes pertencia.

 

O espírito escotista de companheirismo mais que nunca tem terreno fértil para se propagar, pois, como os mais velhos Feijianos lembram hoje, aqueles anos foram de muito trabalho, foi um período de atividades intensas que serviram para formar o caráter daqueles garotos, e, portanto, daquela instituição.

Quando se fala em essência ou natureza da FEIJ, estamos utilizando palavras que conotam abstração, mas que, no entanto, expressam uma realidade concreta. A essência se reflete através das realizações materiais. A união de um grupo de pessoas, em torno de um ideal comum, e que se propõe a utilizar seu tempo e esforços por esse ideal, sem uma recompensa material ou remunerada, é algo que chama atenção, e que se por um lado está desprendida de gratificações materiais, por outro está comprometida com um projeto conjunto e que por isso deu certo.

 

O episódio da construção da primeira piscina da FEIJ, já mencionado, é talvez o exemplo mais ilustrativo para se perceber a forja do caráter daquela sociedade civil.

 

A piscina, medindo 25mx8m, com cinco raias, foi totalmente construída com o esforço de crianças, adolescentes e jovens que coordenados pelo Chefe Castelo, sabiam muito bem o que queriam. Utilizando pás, enxadecos, padiolas e suas próprias mãos, realizaram uma façanha nunca esquecida. Cada caminhada com aquelas padiolas de madeira, utilizadas para retirar o barro do buraco e levá-lo até a parte mais baixa do terreno, onde hoje estão construídos os dois campos de futebol de areia, era um passo a mais para a forja do caráter daqueles garotos. Cada calo na mão foi uma semente para a construção de suas personalidades.

 

Sem tratores ou escavadeiras, mas com pás e padiolas de madeira, que funcionavam como carrinhos de mão, sem remuneração nem recompensa imediata, mas com entusiasmo e voluntarismo, os garotos se formavam e formavam o patrimônio material e a personalidade individual e ao mesmo tempo a essência do que viria a ser a FEIJ.

 

Durante o período em que aquela piscina foi cavada, quantas brincadeiras não foram substituídas pelo trabalho, e quantas vezes, ao ver o trabalho sendo feito, o escoteiro que descansava não se orgulhou por estar ali? É por isso que se fala de formação e não de quando foi formado o caráter, ou a essência de cada um ou da instituição em si. Não há uma data a ser citada, pois, a construção da personalidade não cobra um tempo exato, mas está num intenso processo de formação. A FEIJ de 1949 era o que os feijianos daquela época representavam, assim como os feijianos hoje são responsáveis pelo que a FEIJ representa no momento atual.

 

Quando se pensa que a estrutura dada a FEIJ nasceu e se desenvolveu no dia 12 de novembro de 1949, estamos negligenciando o fator histórico da entidade. Esta data marca o momento em que um conjunto de circunstâncias se encontram e provocam juntas, decisões que resultam em transformações. Essas transformações por seu lado, resultam de uma posição tomada em conjunto - daí a importância da assembleia geral da FEIJ - e que não foi uma posição arbitrária e sim calcada num ideal bem definido, que era o de construir uma nova entidade, mas que, no entanto, iria conservar a mesma filosofia da anterior, ou seja, a filosofia do escotismo.

 

As transformações ocorridas a partir do ano de 1949 foram muitas e definitivas. Os acontecimentos deste ano, ocorridos no seio daquela organização escoteira - a Federação Paraense de Escoteiros - culminaram na fundação de uma nova organização, mas que, no entanto, não abandonou por completo as prerrogativas da entidade extinta.

Como em todo caso de ruptura, encontramos neste processo traumas.  As palavras do Chefe Castelo do dia 3 de outubro de 1949, ajudam a compreender melhor este processo:

 

“... É com verdadeiro pesar que a Federação toma a presente atitude, movida unicamente pelo elevado propósito de defender a obra educacional que vem realizando, a qual deseja ver continuada em franco progresso.”

 

Nota-se assim, que ao desligar-se da UBE a Federação Paraense de Escoteiros não está a soltar fogos em comemoração àquele desligamento. É necessário esclarecer que os escoteiros paraenses se tornam independentes da organização máxima do escotismo no Brasil, por motivos referentes a uma nova estruturação burocrática e estatutária, e não por razões de cunho ideológico. Tanto isso é verdade, que os preceitos do escotismo continuam a ser empregados em seu programa educacional.

 

Esse “verdadeiro pesar”, o qual se refere o Chefe Castelo, portanto, é o trauma decorrente dos acontecimentos de 1949. Porém esse trauma logo é curado, pois, desde seus primeiros dias os feijianos traziam consigo a certeza do dever cumprido, tanto no que diz respeito aos princípios da filosofia escotista, quanto no que se refere ao trabalho com a criança, o adolescente e a juventude.

 

A partir de novembro de 1949, mais precisamente do dia 12, para que as atividades da nova Federação prosseguissem, a assembleia geral - poder máximo da instituição, constituída pela comissão executiva, pelos representantes das associações e pelos membros vitalícios - autorizou a mesma diretoria da ex-Federação Paraense de Escoteiros, para, em caráter provisório, dirigir com plenos poderes a Federação Educacional Infanto Juvenil, e realizar as medidas necessárias para efetuar todos os atos que se impunham em consequência da transformação.

 

Para que a nova federação fosse reconhecida, foi nomeada pela assembleia geral uma comissão constituída pelos presidentes das associações filiadas sob a direção do presidente da FEIJ Raimundo Martins Vianna, que foi encarregada de elaborar o estatuto que iria reger o funcionamento da FEIJ, e que com poucas alterações continua regendo até nossos dias. Esta comissão foi formada por Renato Cristo Mendes Leite, presidente da Associação Benjamin Sodré; Virgílio Ferreira Libonati, presidente da Associação Couto de Magalhães; Armênio Câmara Leão, presidente da Associação Geraldo de Carvalho; Antônio da Silva Pereira, presidente da Associação Brás de Aguiar; Manoel Alves Louzeiro, da Associação Renausto Amanajás e Camilo Martins Vianna, pelas associações do interior do Estado.

 

O Estatuto elaborado pela comissão foi aprovado pela assembleia geral, realizada no dia 10 de dezembro de 1949 - primeira depois da fundação da FEIJ - , e publicado no diário oficial do estado do dia 21 de janeiro de 1950. Em seu capítulo I, artigo 1º, que trata sobre a definição, constituição e fins da entidade, o estatuto prevê:

“Art. 1º. - A FEDERAÇÃO EDUCACIONAL INFANTO JUVENIL (F. E. I. J.), organizada no dia 12 de novembro do ano de 1949, por transformação da ex-Federação Paraense de Escoteiros, conforme deliberação unânime da Assembleia Geral realizada na mesma data, é uma sociedade civil nos termos dos artigos 16 e 18 do Código Civil Brasileiro, com sede na cidade de Belém, capital do Estado do Pará, tendo por fim trabalhar pela educação e assistência social da infância e da juventude, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, visando a formação de uma geração capaz de bem servir a Deus, a Pátria e a Humanidade.”

 

Diante da enorme importância que a nova entidade passa a ter no campo da educação e da assistência social da criança e juventude, a FEIJ, através da lei municipal nº. 1.349, de 27 de agosto de 1951, é declarada pela prefeitura de Belém, como uma entidade de utilidade pública. Da mesma forma, a lei estadual nº. 4.264, de 30 de novembro de 1968, declara a FEIJ de utilidade pública para o estado.

 

Com a criação da Federação Educacional Infanto Juvenil, todos os bens patrimoniais pertencentes a ex-Federação Paraense de Escoteiros foram transferidos para a nova entidade, tendo em vista as disposições aprovadas no ano de 1944 pela assembleia geral da FPE, constantes do Estatuto publicado no diário oficial do estado  de 25 de setembro do mesmo ano, ambos devidamente registrados no Cartório Especial de Títulos e Documentos, do Oficial Manoel Lobato, da cidade de Belém, capital do Estado do Pará.

 

Dentre os objetivos e as virtudes que a FEIJ preserva e incentiva, destaca-se o caráter humanitário da instituição, onde se desenvolve entre seus associados sentimentos de humanidade e fraternidade. A FEIJ portanto não é uma simples coletividade, mas uma grande família, onde os bons relacionamentos são praticados constantemente entre diretoria e associados e vice-versa, numa ajuda mutua e espontânea, o espírito de iniciativa, desenvolvido pela prática de atividades, através das quais o associado adquire hábitos e reflexos que o possibilita resolver com independência, segurança e confiança os problemas da vida, a versatilidade, que é umas das principais características que o feijiano adquire, praticando esportes, trabalhando e executando as tarefas que a FEIJ lhe propõe, o civismo, que procura desenvolver nos seus associados sentimentos de amor à Deus, à família, à pátria, o culto aos heróis, o respeito a bandeira nacional.

              

VEJA A TERCEIRA PARTE - 

CHEFE CASTELO UM BALUARTE