A FEIJ é reconhecida de utilidade pública pela Lei Municipal nº 1.349 de 27 de agosto de 1951 e pela Lei estadual nº 4.264 de 30 de novembro de 1968.
Este site tem como objetivo mostrar a grande entidade que é a FEIJ - Federação Educacional Infanto Juvenil - Aqui será mostrada a sua História.
Caso alguma diretoria Executiva queira este trabalho, teremos o prazer de passar definitivamente a FEIJ.
Chefe Castelo fundou em 23 de abril de 1929 a Federação Paraense de Escotismo (FPE), com Álvaro Fonseca, Emanuel Moraes e Glycério Marques, vinculada à União Brasileira de Escoteiros (UBE).
Por interferência do Prefeito de Belém, Abelardo Condurú, foi oferecida, ao Chefe Castelo, a possibilidade de escolher um espaço na Capital que foi na Av. Independência (hoje Av. Magalhães Barata), ampliado mais tarde até a Av. São Jerônimo (hoje Av. Governador José Malcher).
A fim de dar continuidade a sua grandiosa obra de trabalho, amor e educação da infância e da juventude, desvinculou-se em 1949, da Confederação Brasileira de Escotismo de Terra (CBET-UEB), por não concordar com as normas de mudança estatutária e estrutural da mesma.
E em assembleia geral da FPE realizada no dia 12 de novembro de 1949, foi fundada a Federação Educacional Infanto Juvenil (FEIJ).
Feijianos memoráveis participaram deste início foram muitos, que fizeram parte desta luta que tem continuidade até hoje, formando o alicerce para o amanhã que citar apenas alguns seria injusto de nossa parte.
Ao longo de sua existência, a FEIJ trabalha pela educação e assistência social da infância e da juventude nos aspectos: físico, moral e intelectual.
Tem como principais objetivos desenvolver entre seus associados, sentimentos de humanidade e fraternidade, assim como o espírito de iniciativa, capacitando os feijianos a resolverem com independência, segurança e confiança os problemas do dia a dia.
Versatilidade é uma das principais características que o feijiano adquiri ao entrar para a FEIJ, através do trabalho, esporte, lazer e cultura; procurando desenvolver os sentimentos de amor à família, à pátria, do culto aos heróis, respeito à Bandeira Nacional, à ordem e às autoridades constituídas, solidificando o civismo.
É administrada por uma Diretoria Executiva, um Conselho Superior e um Conselho Fiscal e, regida por Estatuto atualizado, dentro das normas federais.
Quatro (04) associações filiadas e autônomas compõem seu quadro educativo: Couto de Magalhães (ACM), Benjamim Sodré (ABS), Geraldo de Carvalho (AGC) e Braz de Aguiar (ABA), que convivem harmoniosamente, competindo entre si em torneios culturais e esportivos anualmente, como Olimpíadas e Campeonato Feijiano.
A FEIJ apresenta em sua formação a maioria crianças e adolescentes (80%) e os demais adultos de várias idades. Participam ativamente das atividades semanais, que cobrem todos os dias, principalmente sábados e domingos.
Diversas modalidades esportivas são praticadas, dentre algumas delas a Entidade foi a pioneira no Pará, como: Natação, Balé Aquático (atual, Nado Sincronizado), Polo Aquático, Saltos Ornamentais e Aqualouco.
Outras modalidades esportivas também são praticadas como: Futsal, Voleibol, Basquetebol, Futebol de Campo, Tênis de Mesa, Xadrez, Corrida de Rua, Caminhada, Aventura Ecológica, Duathlon.
Desde sua fundação vem contribuindo com o desenvolvimento dos desportos no Pará, seja no passado, em 20/02/1951, representando nosso Estado no campeonato brasileiro de natação, com Alcir Ramos e Raimundo Barroso, medalhas de ouro e prata respectivamente. Natércia Mendonça com duas (02) medalhas de ouro, a irmãs Sônia e Lúcia Pinheiro Vianna, foram campeãs na travessia da Baia do Guajará, Ilha das Onças em Belém, Sônia com o nado de “Craw” e Lúcia com o nado de Costas.
A Natação merece um destaque especial, pois foi a primeira Entidade a inaugurar uma Piscina Semiolímpica no Estado, formando como já foi dito, inúmero atleta, inclusive nos dias atuais, pois conta com a Escola de Natação da FEIJ, aberta inclusive para o Público Externo.
Assim é a FEIJ, uma escola formadora de cidadãos capazes de resolver as situações do dia-a-dia com coragem, determinação, tolerância e persistência, habilidades estas, altamente necessárias para vencer na Vida.
Primeira diretoria
Presidente
RAYMUNDO MARTINS VIANNA
Vice-Presidente
Gonçalo Lago Castelo Branco Leão
Secretário : Antonio da Silva Pereira
Secretário-adjunto: Benjamim Jorge e souza
A.T. de Finanças: José Adonai Pinheiro Rocha
A.T. de Cultural: Otí Ribeiro de Almeida
A.T. de S. Sociais : Camilo Martins Viana
A.T. de Desportivo: Armênio Camara Leão
Foi a primeira diretoria da FEIJ.
Essa Diretoria continuou com plenos poderes, em caráter provisório, dirigindo até 4 de abril de 86
- EM BREVE -
Todas as diretorias executiva da FEIJ
RAYMUNDO MARTINS VIANNA
Primeiro Presidente da FEIJ
BREVE HISTÓRIA DA FEDERAÇÃO EDUCACIONAL INFANTO JUVENIL
Os primórdios da FEIJ
Não se pode discorrer sobre as origens da forja do caráter, como já foi chamada ao longo de sua história, sem levar em consideração a contribuição dada por Benjamin Sodré às atividades escoteiras, tanto no que diz respeito ao Estado do Pará, quanto a nível nacional.
Benjamim Sodré, filho de Theodora de Almeida Sodré e Lauro Sodré, um dos mais importantes políticos paraenses de sua geração, nasceu no Estado do Ceará a 10 de abril de 1892.
Foi aprovado na escola naval aos 18 anos e a partir de então deu início a uma carreira militar invejável e construiu um currículo extenso, estando entre suas proezas o cargo de chefe da comissão naval nos Estados Unidos, durante a Segunda guerra mundial entre os anos de 1943 e 1945; a vice chefia do estado maior e a inspetoria geral da marinha.
Por seu empenho em comandar educando recebeu o título de “O Educador pelo exemplo”, tendo exercido o cargo de professor na escola naval ministrando disciplinas como astronomia, navegação, arte do marinheiro e história.
Entre suas inúmeras contribuições para o escotismo cita-se o “Guia do Escoteiro”, livro com 532 páginas que é considerado o documento básico do escotismo brasileiro.
Para melhor compreensão da história do escotismo no Pará partiremos do ano de 1919. Foi naquele ano, com a fundação do primeiro grupo de escoteiros de Belém, por Benjamin Sodré, que começa a se estruturar esse movimento no Estado. Na verdade, este pioneiro do escotismo no Brasil vinha se dedicando a esta filosofia de vida desde 1913. Para ele esta era a melhor escola de educação nacional.
Este primeiro período é bem ilustrado pela escritora Mariotavia Castro em sua obra “De coração aberto” uma biografia de seu pai, o mestre-escola Octávio Ismaelino Sarmento de Castro, cidadão que participou das primeiras fileiras do iniciante escotismo brasileiro.
De acordo com as palavras da autora, estão entre os grandes eventos do tempo de escoteiro de seu pai "o inesquecível acampamento nos terrenos da casa de Lauro Sodré - importante político da época, ex-governador do Estado e pai de Benjamin Sodré - no Mosqueiro, e as "Lições de bombeiro", dadas no próprio corpo de bombeiros. Lições de seriedade, para meninos em tempo de brincadeira. Essa a grande obra do escotismo: construir uma infância útil".
“Construir uma infância útil”! Estas palavras resumem muito bem o caráter que o escotismo assume desde seus primeiros empreendimentos no Pará, até à Fundação da Federação Educacional Infanto Juvenil, que, embora se desligue oficialmente da União de Escoteiros do Brasil em 1949, continua praticando a filosofia do escotismo até nossos dias.
As palavras da autora são esclarecedoras, pois o objetivo deste livro não é tratar sobre o escotismo dos desenhos animados, que fatalmente deturpam o significado que possui o movimento. O objetivo, portanto, é tratar sobre o escotismo real, discutir sobre as atividades educativas, esportivas e patrióticas desenvolvidas por crianças, adolescentes e jovens que procuram ser útil à Deus, à Pátria e à Humanidade.
Em outra passagem da obra de dona Mariotávia fica muito claro o tipo de atividades desenvolvidas no período do chefe Benjamin Sodré:
"Aos domingos, havia escotismo com o chefe Benjamin Sodré. (..) todas as excursões eram a pé: Ananindeua, dezenove quilômetros... Marituba, vinte e dois quilômetros... Pinheiro, vinte e seis quilômetros... com o clássico chapelão, contra o álcool e contra o fumo, amigo dos animais e das plantas, colocando a honra acima da própria vida..."
Na mesma passagem a escritora nos revela as principais lideranças do período:
"Seguiram impávidos, para o que desse e viesse atrás do garboso monitor Octávio, da patrulha do Leão, o fiel Mano Fernando (mais tarde promovido também a monitor da patrulha do carneiro), Abelardo Lobo, Deoclides Araújo, Ely e Adolpho Souza Rodrigues, Ernestino Souza Filho, Monsueto Queiróz, Adolpho Sodré e Castro, Antonio José Martins, Luiz Leite, Miguel Lisboa, João de Matos Leal, Moacy Mesquita, Antonio e Manoel Marques..."
No ano de 1924 é fundada, com grande contribuição de Benjamin Sodré, a União dos Escoteiros do Brasil (UEB),com sede no Rio de Janeiro. Neste momento já se tem no país uma maior mobilização em torno das ideias do escotismo. Por seu turno o Estado do Pará se destaca com vários grupos.
No dia 9 de julho de 1929 o movimento escotista dá um grande passo e é criada a Federação Paraense de Escoteiros (FPE). Esta Federação era filiada à Confederação Brasileira dos Escoteiros de Terra (CBET), e esta à União dos Escoteiros do Brasil (UEB).
Entre os fundadores da FPE destacam-se: Álvaro Fonseca, Emmanuel Morais, Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão, Glicério Marques, Boaventura Cunha, Hernani Gomes, entre outros.
A FPE tinha sua sede provisória no antigo Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva (CPOR), localizado ao lado da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, no bairro de mesmo nome.
Na elaboração destas anotações considerou-se o período compreendido entre os anos de 1933 - 34 como um divisor de águas para o movimento escotista no Pará, destacando-se, entre outras, pelo menos três grandes razões que fazem deste período um momento determinante para o futuro do movimento no Pará, e, posteriormente para a fundação e desenvolvimento da Federação Educacional Infanto Juvenil (FEIJ).
A primeira grande razão pela qual o período merece especial atenção é o fato de que é em 1933 que a Associação Benjamin Sodré foi fundada. A Associação Escoteira Benjamin Sodré (AEBS) tem sua origem no antigo "Grupo Benjamin Sodré", fundado a 3 de dezembro de 1923 por Álvaro Fonseca, o "chefe Álvaro", um dos mais antigos escoteiros do Pará.
A denominação de “Associação Escoteira Benjamin Sodré” só veio acontecer a 3 de dezembro de 1933. A nova Associação localizava-se nas dependências físicas da Federação Paraense de Escoteiros a qual era filiada.
A segunda razão que torna o ano de 1933 um marco na história do escotismo, é o fato de que neste momento a figura de Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão, o “Chefe Castelo” se apresenta como principal articulador do movimento escotista no Pará. O Chefe Castelo juntamente com nomes como Emmanuel Moraes, Álvaro Fonseca, Edmundo Lima e Luiz Lima, entre outros, inauguraram um novo momento na vida do escotismo no Pará.
A terceira razão que faz dos anos de 1933 - 34 um período ímpar na história do escotismo, e que posteriormente viria influenciar a criação da FEIJ, é o fato de que em 1934, no dia 24 de junho foi criada a Associação Tribos Escoteiras, que posteriormente seria denominada Associação Couto de Magalhães.
A Associação Tribos Escoteiras (ATE) tem sua origem a partir de um grupo de estudantes secundaristas, destacadamente do Ginásio Paraense, atual Paes de Carvalho, que liderados por Boaventura da Cunha, na época professor de latim daquela instituição de ensino, e que era descendente da nação indígena dos Caiapós, resolveu criar um grupo de escoteiros que em homenagem as nações indígenas recebeu o nome de Associação “Tribos Escoteiras”.
A Associação era formada por grupos menores denominados de Tribos, que estavam sediadas em vários bairros de Belém. As cinco Tribos recebiam os nomes de: Caiapó, Caeté, Xavante, Carajás e Tapirapé.
Destacam-se aqui os nomes de Glicério Marques, Ophir Duarte, Pedro Ferreira Libonati, além, é claro, de Boaventura da Cunha, algumas das lideranças que estruturaram e fundaram a Associação Tribos Escoteiras.
Nos seus primeiros tempos os escoteiros dessas tribos se reuniam no antigo Clube Militar. Após a ida de Boaventura da Cunha para o Rio de Janeiro os encontros se davam na casa de Glicério Marques, pois, este passou a liderar aqueles grupos. No entanto, após a saída de Boaventura da Cunha houve um sensível decréscimo das atividades, e as diversas tribos aos poucos foram desaparecendo. Porém, a associação em si não desapareceu e o Chefe Glicério Marques continuou na batalha.
Nesta época existiam na associação quatro patrulhas - que eram grupos menores dentro da mesma associação, cujos nomes eram: Patrulha do Gato, Águia, Cão e Galo.
Neste momento, como o Chefe Castelo era o presidente da Federação Paraense de Escoteiros, ele se responsabilizou pela união da Associação de Tribos Escoteiras e da Associação Benjamin Sodré, que agora fariam parte da mesma Federação, embora continuassem sendo associações diferentes e autônomas.
Àquela altura a denominação “Associação de Tribos Escoteiras” havia perdido seu sentido e por isso achou-se por bem buscar outro nome. Por sugestão do Chefe Glicério Marques, o novo nome da associação passou a ser o do insigne brasileiro Couto de Magalhães. Escritor, político, militar e sertanista, Couto de Magalhães nasceu em Minas Gerais, na cidade de Diamantina, em 1º de novembro de 1837 e ao longo de sua vida prestou valorosos serviços ao país e por isso mereceu a homenagem de dar seu nome àquela associação. Couto de Magalhães faleceu a 14 de setembro de 1898 no Rio de Janeiro.
Como primeiros e principais articuladores, da agora Associação Couto de Magalhães devem ser lembrados, entre outros, Glicério Marques, Pedro Libonati, Virgílio Libonati, Oty Ribeiro de Almeida, Adauto Ribeiro de Almeida, José Campos, José Álvaro de Azevedo, Sérgio Delgado, Raimundo Xavier Barata, Turiano Lins Pereira Filho, José Navarro de Azevedo, Raimundo Velasco e Orlando Mota Feio.
Este período representa novo momento do escotismo no Pará, pois fatos como a criação da associação de escoteiro Benjamin Sodré, que recebe esse nome em homenagem ao grande pioneiro do escotismo no Pará, e a entrada, através de filiação no Grupo e agora associação, do líder Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão, assim como a criação da Associação tribos Escoteiras significam nova vitalidade ao escotismo no estado.
Segundo relatos de companheiros do “Chefe Castelo”, membros da Federação Educacional Infanto Juvenil como Raymundo Martins Vianna e Virgílio Ferreira Libonati o escotismo, com o ingresso do Chefe Castelo, sofreu profundas modificações que levaram mais tarde a fundação da FEIJ.
Sob a liderança agora do “chefe Castelo” os acontecimentos se darão a partir daquele momento de forma mais acelerada, ao mesmo tempo em que as mudanças também se darão de forma cada vez mais dinâmica. Isso porque o chefe Castelo inaugura, uma nova fase do movimento escotista no Pará. Sob sua liderança e força de vontade aquele galpão do antigo Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva (CPOR) o qual funcionava como sede da Federação Paraense de Escoteiros, se tornou demasiadamente pequeno para aquele grupo de adolescentes e rapazes que aprendiam com o Chefe Castelo a pensar no futuro, e, mais do que apenas pensar, transformá-lo.
A presença de homens como o chefe Castelo a frente da Federação Paraense de Escoteiros deu novo vigor às atividades do escotismo, e a cada ano novas levas de crianças e jovens se candidatavam ao ingresso nas associações daquela Federação. Por esse motivo, no ano de 1947 uma nova associação foi criada. Esta data, portanto, merece atenção especial, pois é nela que surge a Associação Geraldo Carvalho, nominada assim por proposta do Chefe Antônio Pedro Martins Vianna.
Esta nova associação é criada em decorrência do crescimento da Associação Benjamim Sodré e por uma questão de conveniência administrativa, tendo sido escolhido o nome de Geraldo Carvalho, em homenagem a Geraldo Magela Pamplona de Carvalho precocemente falecido, pela grande contribuição que esse escoteiro deu ao movimento.
Geraldo Carvalho teve seu Ingresso na Federação Paraense de Escoteiros através da Associação Benjamin Sodré em 11 de julho de 1941. Durante cinco anos foi considerado o “melhor escoteiro do Pará”. Entre suas façanhas destaca-se sua conquista de tricampeão de provas técnicas do Norte. Escoteiro exemplar permaneceu fiel à filosofia escotista e a seus companheiros até o dia de sua morte. Tendo conquistado por isso a merecida homenagem de dar nome à associação que seria mais tarde um dos esteios da FEIJ.
Logo após a fundação da Associação Geraldo Carvalho uma quarta associação foi criada, e, com a finalidade de permitir que grupos menores desenvolvessem melhor os trabalhos, tem origem a Associação Braz de Aguiar.
O nome escolhido para a quarta associação, que junto com as outra três já mencionadas formariam em 1949 a FEIJ, foi escolhido levando-se em consideração a importância que o Almirante Braz de Aguiar teve para com o País e o Estado do Pará. Entre suas contribuições está seu trabalho nas fronteiras da Bolívia, Venezuela, Colômbia, Guianas e Peru. Ainda é de se destacar seus trabalhos de levantamentos hidrográficos bem como nas áreas de astronomia, cartografia, topografia e geografia.
Braz de Aguiar nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 3 de fevereiro de 1881. Com autêntica vocação marinheira ingressou na escola naval já em 1889. Sua carreira militar foi repleta de conquistas e seu currículo é extenso e brilhante. De aspirante a guarda-marinha em 1899 chegou a capitão-de-mar-e-guerra em 1945, um dos mais importantes cargos da marinha brasileira.
Entre suas inúmeras contribuições para com o país e o Estado do Pará está seu trabalho nas fronteiras da Bolívia, Venezuela, Colômbia, Guianas e Peru. Seus trabalhos de levantamento hidrográficos, bem como nas áreas de astronomia, cartografia, topografia e geografia se destacam como contribuições para o melhor conhecimento do território nacional. Entre seus cargos chefiou a comissão demarcadora de limites com sede em Belém.
Braz de Aguiar doou seus 66 anos aos serviços destinados á pátria brasileira, tendo falecido a 17 de dezembro de 1947.
Chegando em fins da década de 40 parece ser oportuno que se faça uma avaliação do retrospecto do movimento escotista no Estado do Pará até esta data.
Desde 1919, momento em que se tem notícias do primeiro grupo escoteiro no estado do Pará, cujo principal líder era Benjamin Sodré, até fins dos anos quarenta, ou seja, até as vésperas da fundação da Federação Educacional Infanto Juvenil, o escotismo passou por altos e baixos, havendo momentos de maior ou menor crescimento no movimento. Não há dúvidas de que em Belém o escotismo sempre esteve mais atuante, por exemplo, com as atividades do antigo grupo Benjamin Sodré e as Tribos Escoteiras que mais tarde se constituiriam respectivamente nas Associações Benjamin Sodré e Couto de Magalhães. Isso, no entanto, não quer dizer que o interior do estado não tenha sido palco de atividades desempenhadas por grupos escoteiros. Têm-se notícias, por exemplo, de grupos escoteiros que foram formados em Bragança, Castanhal, Santa Isabel, Igarapé-Açu, Capanema, criados pelo Chefe Castelo e vinculados a FPE que embora não tenham tido uma longevidade, como os grupos da capital do estado, tiveram papel importante na divulgação do ideal escoteiro.
A verdade, no entanto, é que poucos grupos sobreviveram ao tempo e que aqueles que tinham o espírito de escotista e que souberam se servir deste espírito, para manter vivo um ideal tão nobre, tiveram êxito em sua jornada.
Necessário é esclarecer que quando se diz que foram poucos os grupos de escoteiros que sobreviveram até cerca de 1950, não significa afirmar que nestes trinta primeiros anos da história do escotismo no estado tenha havido um decréscimo das atividades e mesmo no número de filiados. Muito pelo contrário. É difícil precisar o número de participantes em cada grupo escoteiro, tanto daqueles da década de vinte e trinta quanto os da década de quarenta. O que se pode afirmar é que ao longo dos anos quarenta houve um aumento significativo de elementos nos grupos que neste momento já se chamavam associações. Isto ocorre em função da estruturação da Federação Paraense de Escoteiros que se dá a partir de fins da década de vinte.
Essa afirmação é facilmente provada quando se atesta, na segunda metade da década de quarenta, a criação de mais duas associações: Associação Geraldo Carvalho e Associação Braz de Aguiar. Pois, a principal razão que levou a fundação destas associações foi o grande número de integrantes das duas já existentes: Associação Benjamin Sodré e Associação Couto de Magalhães, tendo em vista que estas eram frequentemente procuradas por crianças e adolescentes.
Porém, não se pode avaliar os méritos do movimento escoteiro apenas através dos números.
A Federação Paraense de Escoteiros, fundada em 1929, na década de quarenta havia alcançado uma estrutura que ao longo de sua existência havia formado. Aquela geração de líderes como Álvaro Fonseca, Emanuel Moraes, Boaventura da Cunha, Glicério Marques, Hernani Gomes e Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão, foi responsável por outras que agora já estavam preparadas se preciso fosse, como o foi, para coordenarem o movimento daquela juventude. Entre estas lideranças da década de quarenta cita-se, entre muitas outras, os irmãos Pedro e Virgílio Ferreira Libonati, Renato Cristo Mendes Leite, Armênio Câmara Leão, Antônio da Silva Pereira, Ulisses Lauro Mendes Vieira, Cláudio Carvalho do Nascimento, Antônio Pedro Martins Vianna, Clodoaldo Nascimento, Álvaro Almeida Jr., Raimundo Martins Vianna, Camilo Martins Vianna, José Adonai Pinheiro Rocha, João de Oliveira Sobrinho, Aldeniz Leite da Silva, Miguel Oliveira Penna, José Maria Santa Helena Corrêa, Mário Wilson Santa Helena Corrêa, Washington Luiz de Souza Rocha, Carlos Prado, José Navarro de Azevedo, Carlos Alberto Menezes, Antonio Seixas, Antonio Soares de Azevedo,, Mário José de Oliveira Peixoto, Carlos Mendes, Édison Parente, Benedito Ronal Santos, Joaquim Matos, José Maria Mendes Leite, Heraldo Mourão, Benjamin Jorge Souza e muitos outros.
A partir de inícios da década de quarenta as transformações na FPE são muitas: ocorre a mudança de sua sede para um espaço que agora lhe pertence de direito; novas associações se incorporam a Federação; e, o fato mais importante, ocorre a transformação em 1949 da FPE em Federação Educacional Infanto Juvenil (FEIJ).
A partir de agora, cada uma destas transformações e suas consequências e resultados, serão analisadas com maior atenção.
Nos primeiros anos da década de quarenta ocorre a transferência da Federação paraense de Escoteiros para e então Avenida Independência nº 397 - atual Avenida Governador Magalhães Barata cujo nº da sede, onde hoje funciona a Federação Educacional Infanto Juvenil é 799 - terreno este que foi doado pela Prefeitura de Belém aos escoteiros, pelo prefeito na época Sr. Abelardo Condurú. O terreno era tomado por uma arborização densa e possuía apenas um pequeno prédio onde funcionou a Escola Primária da FEIJ e que hoje abriga a Biblioteca Raymundo Martins Vianna e que, por seu valor histórico, foi tombado como patrimônio artístico e cultural de Belém, em janeiro de 1989, de acordo com as disposições expressas na lei municipal nº 7181, de 19 de janeiro de 1981, em face do significativo valor arquitetônico e ambiental do imóvel e do conjunto homogêneo da paisagem urbana característica da capital paraense.
Transcreve-se a seguir matéria redigida pelo Sr. Edgard Pina publicada na edição de julho de 1957 em “O Feijiano”, jornal interno independente mimeografado que retrata com cores vivas a empreitada que foi desbravar aquele novo patrimônio da FEIJ.
“Foi exatamente em novembro de 1941 que comecei a ter contato com a então Federação Paraense de Escoteiros, atual Federação Educacional Infanto Juvenil. Pouco tempo fazia que os escoteiros tivessem deixado a “sede” de Nazaré.
A “sede” de Nazaré era aquela área que fica por detrás da Basílica de N. S. de Nazaré, onde inicialmente o Chefe Álvaro Fonseca e, posteriormente o então tenente Castelo Branco, ensinavam a um punhado de jovens, a bem amar o Brasil.
Já desde 1937 vinha o Chefe Castelo fazendo reuniões e dando instruções naquele local. Em 1940 o prefeito de então, professor Abelardo Condurú, grande amigo do escotismo, deu o seu apoio ao movimento, possibilitando à FPE a aquisição do terreno em que estão suas instalações. O nome de Abelardo Condurú é, e sempre será dentro do Movimento, uma legenda de amizade.
O que era então aquele terreno? Mais de um quarto de quilômetro cheio de buracos, ninhos de saúvas, tocas de cobras, imensos formigueiros, profundos poços e grandes fossas das velhas barracas do “Alto da Cabra”; tudo recoberto de mato e ervas daninhas, onde imperava a urtiga, o carrapicho e a jurubeba brava. Dezenas e dezenas de tucumanzeiros, mangueiras, açaizeiros, carrapateiras e inúmeras outras árvores de pequeno e grande porte, davam ao terreno o aspecto de mato bravo. Mas os Feijianos precisavam terreno limpo para a prática de esportes e outros exercícios, e iniciaram a marcha para a S. Jerônimo:
“Lutar é a nossa glória!” liam os no seu código.
“Lutar é a nossa glória!” repetiam os chefes de patrulhas e associações. O entusiasmo com que aqueles garotos e jovens se lançaram à luta, só era superado pela bravura dos que os dirigiam. Garotos até de 8 e 9 anos, ombro a ombro, derrubavam árvores, aterravam grandes buracos, capinavam, queimavam o que era preciso queimar, queimavam-se também, feriam-se, arranhavam-se, contundiam-se, mas não esmoreciam.
“Lutar é a nossa glória!” Todo esse trabalho, toda essa bravura, era silenciosa; lá fora pouco ou nada se sabia deste trabalho dos Feijianos.
O que é a FEIJ? Já ouvi responderem: - É uma piscina que “tem” na Independência. Uma piscina na Independência! Sim, a FEIJ possui uma piscina na sua sede na Av. Independência, mas essa piscina tem a sua história. O rabiscador destas linhas, vizinho da FEIJ, para encurtar caminho, passava pelo terreno da Federação. Quatro vezes por dia era feito o trajeto e, de passagem, observávamos os acontecimentos. Certo dia, mais ou menos em junho ou julho de 1943, notamos que um grande buraco estava sendo cavado no meio do terreno. Perguntamos a um dos garotos:
- O que é que vão fazer aí?
- Uma piscina.
- Uma piscina?
- Sim! Uma piscina de tábuas. Aproveitaremos a água da chuva!
Depois tivemos mais esclarecimentos. Seria feito um grande tanque todo forrado de madeira, e a água da chuva seria canalizada para o mesmo. Ficamos a matutar.
- Fantástico! Uma piscina forrada de tábuas, cheia com a água da chuva... e profetizamos:
- Sonho de uma noite chuvosa!
O buraco aumentava dia a dia. Uma tarde, depois de uma chuva bem paraense, entramos no terreno. Nossa atenção foi despertada por uma grande gritaria. Que seria? Alguma anormalidade? Nada de anormal!... apenas os Feijianos estavam NADANDO! Ficamos pasmados! O grande buraco estava acima do meio de água amarela, grossa, parecia mingau de tucumã e os futuros nadadores lá dentro, felizes, muito felizes.
- Arre! Dissemos nós; com toda essa vontade eles farão mesmo uma piscina, e fizeram!
No dia 2 de fevereiro de 1945, foi solenemente inaugurada a piscina de 25mx8m, com 5 raias, de onde mais tarde, em 1950, sairiam os dois primeiros campeões brasileiros infanto-juvenis de natação que o Pará teve.”
As palavras do Sr. Edgard Pina revelam detalhes importantes sobre um momento determinante para a Federação Paraense de Escoteiros, que foi a transferência de sua sede para aquele novo endereço: Avenida Independência nº 397.
Um novo desafio a partir de agora se apresentava aqueles desbravadores: administrar aquele patrimônio que agora era seu. O Chefe Castelo, a frente da Federação Paraense de Escoteiros, tratou de organizar a tropa. Os escoteiros foram divididos em patrulhas, como a Patrulha do Galo, a Patrulha do Cão, da Águia, do Touro, do Tigre, do Carneiro, entre outras. As patrulhas foram divididas pelo Chefe para facilitar e acelerar o trabalho. As patrulhas eram formadas por um monitor, um sub-monitor e pelos escoteiros. A cada patrulha era entregue uma área para derrubar, destocar e enterrar as árvores e deixar o terreno inteiramente limpo.
Com uma sede nova - o sobrado da Avenida Independência, onde atualmente funciona a Biblioteca da FEIJ. - e um amplo terreno, onde tucumanzeiros era o que não faltava agora o trabalho se multiplicara e o Chefe Castelo e seus pupilos não esmoreceram.
Os escoteiros da FPE, já acostumado com grandes desafios, agora começaram a enfrentar mais um, que era tornar aquele espaço habitável. Aqueles “mais de um quarto de quilômetro de buracos, ninhos de saúvas, tocas de cobras, imensos formigueiros, profundos poços e grandes fossas das velhas barracas do alto da cabra...”, de que fala o Sr. Edgar Pina, precisavam ser limpos e, os planos do chefe Castelo junto com sua tropa, para aquele espaço, não eram poucos.
O relato do Sr. Edgard Pina é de uma riqueza inestimável, pois, informa sobre vários aspectos das atividades dos integrantes da FPE de meados dos anos quarenta. O que interessa no momento, é chamar atenção para a forma como aquele grupo considerável de jovens conseguiu transformar aquela área quase que inóspita em um patrimônio invejável. Basta dizer que aquele novo patrimônio foi construído sobre uma estrutura inabalável formada por coragem, espirito desbravador, abnegação, entusiasmo e muita convicção. Foi esta estrutura a responsável pela inauguração a 2 de fevereiro de 1945, daquela piscina de que nos fala o Sr. Edgard Pina.
A construção da piscina - que levou mais de quatro anos para ser época e também os mais novos, e é um evento que ilustra muito bem o caráter daqueles escoteiros e dos que os que continuarão com o mesmo ideal.
Em 1945, quando da inauguração da piscina, pelo menos a metade da área onde hoje funciona a sede da FEIJ, já estava limpa, e até 1949, ano da transformação da FPE em FEIJ, pelo menos 80% do atual patrimônio desta federação já estavam construídos, como por exemplo, o salão de reuniões, a quadra polivalente de esportes, que tem o nome de Glicério Marques, a primeira piscina e o campo de futebol.
Todas estas transformações, mais a criação das duas últimas associações - Associação Braz de Aguiar e Associação Geraldo Carvalho - que viriam formar a FEIJ, fizeram da F.P.E. uma das federações da União dos Escoteiros do Brasil que mais se destacou a nível nacional, sendo o seu patrimônio material um exemplo claro disso.
A F.P.E. passava, portanto, em fins da década de quarenta, um momento de crescimento e afirmação, sendo constituída de um patrimônio material e humano invejável, é por essas razões que esta Federação vai discordar da nova estruturação dada a União de Escoteiros do Brasil em 1949. E, que no mesmo ano, na 5ª Assembleia Nacional Escoteira, realizada na cidade do Rio de Janeiro no mês de outubro, a F.P.E. anuncia seu desligamento da U.E.B. já que, se assim não o fizesse, perderia, em favor daquela entidade, o seu patrimônio tão arduamente conquistado.
VEJA A SEGUNDA PARTE -
FEDERAÇÃO EDUCACIONAL INFANTO JUVENIL
75 ANOS DE LUTAS E GLÓRIAS