A FEIJ é reconhecida de utilidade pública pela Lei Municipal nº 1.349 de 27 de agosto de 1951 e pela Lei estadual nº 4.264 de 30 de novembro de 1968.
Este site tem como objetivo mostrar a grande entidade que é a FEIJ - Federação Educacional Infanto Juvenil - Aqui será mostrada a sua História.
Caso alguma diretoria Executiva queira este trabalho, teremos o prazer de passar definitivamente a FEIJ.
TERCEIRA PARTE
CHEFE CASTELO UM BALUARTE
O Chefe Castelo, em 1949, já era o grande líder daquela organização. Para que se compreenda melhor o que é a FEIJ hoje, e também para perceber o que foi a FEIJ nos seus primeiros anos, nada melhor que procurar conhecer a personalidade que foi Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão.
O Chefe Castelo nasceu a 22 de abril de 1907, na cidade de Belém do Pará, seus pais eram Genésio Alves leão e Sebastiana Castelo Branco. Cidadão de 1,65m, possuía pele branca, cabelos castanhos lisos, olhos castanhos. Se formou em advocacia pela Faculdade de Direito do Estado do Pará em 1940. Durante grande parte de sua vida se doou ao serviço militar, chegando a general de brigada. Em 1949, ainda como capitão, foi um dos principais responsáveis pela Fundação da FEIJ. No dia 26 de abril de 1977 faleceu o grande baluarte da FEIJ.
É necessário fazer uma observação: a palavra “chefe” longe de ter, entre os feijianos, um significado pejorativo, ou de super valorização, significa uma expressão de respeito acima de tudo. Esta é uma forma dos feijianos se dirigirem a seus líderes, e que tem origem ainda no período em que faziam parte do movimento escoteiro.
Embora o Chefe Castelo, assim como outras lideranças, tivesse uma formação militar, rígida e disciplinada isso não foi repassado integralmente para os escoteiros e feijianos. Muito pelo contrário. Sempre a serviço da educação, aquele líder soube impor aos jovens o tipo de disciplina que não agredisse as características próprias da idade daqueles garotos. Não é possível, portanto, confundir militarismo com escotismo ou com espírito feijiano. Cada um está no seu lugar.
A palavra disciplina na FEIJ, longe de significar submissão, tem o sentido de compromisso, responsabilidade, respeito às regras que são aprovadas por todos. A disciplina expressa assim a ordem, que é necessária para o sucesso de qualquer atividade.
Nesse contexto, um dos maiores legados do Chefe Castelo são os códigos de deveres e códigos de honra, os quais foram elaborados a fim de nortear a conduta do feijiano.
CÓDIGO DE DEVERES E SUAS VIRTUDES:
1º - O homem deve amar a Deus, à Pátria e ao próximo - Amor e civismo.
2º - O homem deve ser Corajoso, Forte e Leal - Coragem, Força e Lealdade.
3º - O homem não deve mentir, pois sua palavra vale sua honra - Verdade e Dignidade.
4º - O homem deve ser Pontual e Honesto - Pontualidade e Honestidade.
5º - O homem deve Amar a Natureza e respeitar suas leis - Naturalismo.
6º - O homem deve ser disciplinado e organizado - Disciplina e Organização.
7º - O homem deve ser Justo, Bondoso e Tolerante - Justiça, Bondade e Tolerância.
8º - O homem deve ser Culto e Cortês - Cultura e Cortesia.
9º - O homem deve ser previdente - Previdência
10º - O homem deve ter Espírito Jovial e ser limpo de corpo e pensamento - Alegria e Pureza.
CÓDIGO DE HONRA E SUAS VIRTUDES:
1º - O homem é Corajoso - Coragem.
2º - O homem é Honesto - Honestidade.
3º - O homem é Leal - Lealdade.
4º - O homem é veraz - Veracidade (verdade)
Estes códigos e suas respectivas virtudes falam por si só sobre a personalidade do Chefe Castelo. Elaborados por ele, estas foram as balizas que nortearam o comportamento dos feijianos até hoje. O legado, portanto, deixado por este exemplo de vida não se encontra em algo material, palpável, mas em seus ensinamentos e em sua história de militante na luta pela pátria e pela educação e assistência à infância e juventude.
Em 1949, quando da Fundação da FEIJ, o Chefe Castelo já era o grande líder daquele movimento. Aquela instituição desde sua fundação foi prioridade para ele. Tanto isso é verdade que durante 28 anos - de 1949 a 1977 - seu tempo foi quase que integralmente destinado à FEIJ.
Episódio que reflete muito bem seu amor e afeto ao trabalho com aquela instituição, é sua mudança para as dependências da FEIJ em 1956. A partir daí aquele ambiente torna-se sua casa, e mais do que nunca o Chefe Castelo estava a serviço daquele ideal. Com o apito na mão comandava a tropa nas reuniões. Suas palavras impunham respeito e disciplina. Suas falas eram ouvidas com atenção, e seus ensinamentos seguidos por todos.
Este homem, caracterizado por todos como líder nato, sabia comandar, mas também sabia ouvir, era duro, mas não intransigente, se preciso pedia desculpas. Considerado por muitos como verdadeiro pai, estava presente não só nos horários de atividades da FEIJ, mas se encontrava pronto para ouvir cada um que o procurasse. Gostava de conhecer um por um da tropa, quando notava que alguém estava com problemas não hesitava em chamar para tentar resolver a questão.
Ele foi o baluarte da FEIJ durante muito tempo, e, hoje continua sendo. Hoje, depois de mais de 22 anos de sua morte física, sua lição de vida não foi esquecida. Os que o conheceram sentem saudade de seu líder e amigo, os que não tiveram essa oportunidade se lamentam e procuram seguir seus ensinamentos. Suas lições e memória continuam a servir de apoio e suporte para os Feijianos, ao mesmo tempo que seus contemporâneos sentem sua presença constantemente.
O Chefe Castelo, apesar de sua sabedoria e conhecimento sobre vários assuntos, pouco material escrito deixou. Seus relatos sobre uma excursão revelam de forma bem humorada o tipo de atividade desenvolvida pelos feijianos:
“Indiscutivelmente, uma das atividades que mais se coaduna com o espírito feijiano, é a exercida no campo.
Desde os preparativos até à volta, tudo se traduz por notável interesse. Mal é programada a excursão e logo surge a curiosidade. Todos querem saber onde será o local, qual a quota, o tempo de duração, transporte, etc.
Os preparativos são feitos com prazer e até os cabeludos procuram o Pascoal para um cortezinho “sem dor”. E as perguntas continuam: “O Djalma pode ir?” - pergunta um. “Por que?” - indaga o Chefe. “Por causa do “irrigador”. “E o Bifuso com a sua “sirene”, e o Beni com as alterações, e o Heraldo com o vasto “apetite”. Sim, todos irão usufruir as belezas da vida campestre.
E as jovens do Departamento Feminino? Em primeiro lugar vem a Naná. Não poderá ir: ficou em 2a. época em física, em 3a. em matemática, em 4a. em Português, em 5a. em Inglês! Arranja-se, diz o Chefe e dá um jeitinho. E a Dra.? Sim, poderá seguir, porém pagará duas quotas...
Normélia e Natércia não têm dúvidas, porém a Maria Emilia terá que romper a “cortina das tias”.
Dia da partida, uns seguem “de a pé”, outros alegremente de caminhão. Após a chegada nota-se a animação na construção das barracas, mastros, cozinha e no primeiro banho. Tudo ótimo, tudo divertido.
No segundo dia, Chulata e Badu se esmeram no menú e aumentam a água do feijão por causa do apetite consagrado de uma feijiana.
Arma-se o cabo de vai-e-vem e o “caçador”. “olhando a moral” é encarregado de distrair as meninas, porque esqueceu a espingarda. Procura logo uma boa sombra, pede água fresca e começa uma história antiga: “Era uma vez duas jovens de quarenta anos, Marciana e Saturnina...”
Vem o banho e o homem do “parangolé”, segurando no pincel, leva a turma igarapé abaixo num “S. Benedito”.
Almoço, jogos, e a noite chega. Provas de coragem, mensagens, etc. E vem o “Fogo de Conselho”, improvisado pelo lusitano Leitinho. Tudo bom, muito divertido. Principalmente as quadrinhas:
“Eu encontrei uma mocinha
Quando vim do Ceará
Era uma caboclinha
Que se chamava Naná...”
“No mundo, os japoneses
São campeões de vale-tudo
No Brasil o Amigo Penna
É o campeão dos cabeludos...”
Depois, o silêncio. O Bifuso ronca e faz a “volta da cidade” em tôrno da sala, com os pés na cabeça. A Normélia conversa com o Renato em pleno sono e o Leitinho discute com o Navarro um assunto de “aula”.
Vem o último dia e em todos já domina a saudade das boas horas tão bem vividas.
Chegando à Sede, caras tristes, vontade imensa de que aquelas horas ainda não tivessem passado. E depois, mais recordações da bela vida de feijiano, mais espírito de fraternidade entre todos e, sobretudo, mais fibra para vencer cada vês mais.”
Neste relato fica patente o tipo de relacionamento entre os feijianos. Chefe Castelo fala do espírito de fraternidade da tropa, das brincadeiras compartilhadas, das atividades realizadas nos dias de acampamento etc. O Chefe Castelo ainda cita o departamento feminino. Mas o que representava esse departamento?
EM BREVE A QUARTA PARTE - DEPARTAMENTO FEMININO